24 de setembro de 2026

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Transporte e insegurança levam 39% das mulheres a desistir de vagas

Pesquisa com 564 mulheres aponta que custo, tempo, distância e medo afetam trabalho, estudo e lazer.

Quase quatro em cada dez mulheres brasileiras, ou 39%, já deixaram de aceitar uma vaga ou oportunidade profissional por dificuldades de deslocamento. A conclusão é da pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, divulgada pela Indique, em parceria com a Think Eva e a 99, que associa essa decisão à insegurança, ao custo, ao tempo de viagem e à distância.

O levantamento ouviu 564 mulheres entre 18 e 60 anos, em pesquisa realizada de 8 de junho a 9 de julho de 2026. As entrevistas abrangeram dez capitais, entre elas Manaus e Belém, além de outras 73 cidades brasileiras, e indicam que os obstáculos à mobilidade também limitam a formação e a vida social.

Impacto no trabalho e nos estudos

Segundo o estudo, 54% das participantes já faltaram a um compromisso profissional ou recusaram um convite ligado ao trabalho pelos mesmos entraves. Outras 21% desistiram de uma capacitação, incluindo cursos de graduação.

InfográficoBarreiras à mobilidade feminina

Indicadores da pesquisa com 564 mulheres brasileiras

39%
Desistiram de vagaspor dificuldades de deslocamento
  • 39%Desistiram de vagaspor dificuldades de deslocamento
  • 54%Recusaram compromissosligados ao trabalho
  • 21%Desistiram de capacitaçãoincluindo faculdade
  • 52%Mais de uma horapor dia em deslocamentos
  • 68%Sem veículo próprio
Fonte: Indique, Think Eva e 99Guia do Acre

A insegurança ou violência foi apontada como o principal fator que dificulta os deslocamentos, por 32% das entrevistadas. A falta de dinheiro apareceu em seguida, com 22%, à frente da precariedade do transporte público, citada por 15%, e da distância, mencionada por 14%.

A preocupação com o trajeto também modifica a rotina: 87% afirmaram evitar determinados bairros ou regiões, enquanto 73% organizam os horários pensando em proteção. Além disso, 63% já deixaram de usar algum meio de transporte e 60% fizeram rotas alternativas para chegar ao destino.

Renda define as opções de transporte

A pesquisa mostra diferenças no acesso aos meios de transporte conforme a renda. Mulheres de baixa renda dependem mais do ônibus, enquanto o uso regular de carro próprio é mais frequente entre as entrevistadas de alta renda.

Meio usado regularmente Baixa renda Alta renda
Ônibus 80,3% 52,1%
Carro próprio 8,3% 40,6%

No total, 68% das mulheres ouvidas disseram não ter veículo próprio, e 52% gastam mais de uma hora por dia em deslocamentos. Para 45%, as condições de mobilidade perto de casa são piores do que na região central da cidade; 33% classificaram o transporte público de seus bairros como ruim ou péssimo.

Deslocamentos também envolvem cuidado

As responsabilidades de cuidado ampliam os trajetos cotidianos, de acordo com a pesquisa. Mais da metade das entrevistadas, 54%, afirmou desempenhar esse trabalho sozinha, enquanto 38% o divide com outras pessoas.

Entre as participantes, 43% organizam sozinhas os percursos para atividades como levar pessoas à escola, ir a consultas médicas, comprar remédios e fazer compras. Para 44%, essas responsabilidades influenciam a escolha do meio de transporte, e 53% recorrem a carros por aplicativo quando levam dependentes.

O que muda para o leitor

O levantamento aponta que as barreiras de mobilidade não se restringem ao deslocamento entre casa e trabalho. Segundo as organizações responsáveis pelo estudo, elas alcançam oportunidades de emprego, cursos, compromissos profissionais, encontros e atividades de lazer.

Com informações de Agência Brasil.

Foto de capa: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Guia do Acre.