Afya e Yduqs anunciam fusão para formar grupo de R$ 9,4 bilhões
Operação une empresas de ensino superior e medicina, mas ainda precisa passar por acionistas e órgãos reguladores.
Afya e Yduqs anunciaram na quarta-feira (23) um acordo para reunir suas operações em uma única companhia de educação superior. A transação, que ainda será submetida aos acionistas e às autoridades reguladoras, projeta receita líquida anual de cerca de R$ 9,4 bilhões.
A Yduqs incorporará a Afya, atualmente negociada na Nasdaq, enquanto a empresa resultante permanecerá listada na B3, no segmento Novo Mercado. Os atuais acionistas da Afya ficarão com 69% das ações em circulação da companhia combinada; os investidores da Yduqs terão os 31% restantes.
Controle e comando da nova empresa
Segundo as empresas, a Bertelsmann, controladora da Afya, será a principal acionista do grupo reunido, com 47,4% do capital. A família Esteves terá 7,6%, o fundo Advent ficará com 5,3% e a família Zaher, ligada à Yduqs, com 4,8%.
Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, deverá presidir o conselho. O comando executivo ficará com Virgilio Gibbon, atual CEO da Afya, enquanto Rossano Marques, que dirige a Yduqs, assumirá a vertical de ensino superior fora da área de medicina.
Medicina ganha peso na combinação
A Afya é líder no ensino médico no país e também atua com serviços e especializações voltados a profissionais da área. Já a Yduqs, dona das marcas Estácio, Wyden e Ibmec, mantém cursos superiores presenciais e digitais e controla o IDOMED.
O IDOMED reúne 18 escolas de medicina, cerca de 2.120 vagas anuais autorizadas e 13 mil estudantes, de acordo com os dados divulgados. No primeiro semestre, a unidade registrou R$ 694 milhões de receita e R$ 343 milhões de Ebitda, respondendo por 23% do faturamento e 35% do Ebitda ajustado da Yduqs.
Números projetados para o grupo
Dados do JPMorgan citados pelo InvestNews indicam que a empresa resultante terá aproximadamente 50 escolas, quase 5.900 vagas anuais de medicina e 39,4 mil alunos. A participação conjunta seria próxima de 17% das vagas privadas do curso no Brasil.
Projeções e resultados citados para Afya e Yduqs.
- R$ 9,4 bilhõesReceita líquidaúltimos 12 meses até junho
- R$ 3,6 bilhõesEbitda ajustadoúltimos 12 meses até junho
- 39,4 milAlunos de medicinaestimativa do JPMorgan
- quase 5.900Vagas anuaisprojeção do JPMorgan
- cerca de 17%Participação nas vagasvagas privadas de medicina
No acumulado dos 12 meses encerrados em junho, Afya e Yduqs somariam R$ 3,6 bilhões em Ebitda ajustado e R$ 1,3 bilhão de lucro líquido ajustado. O JPMorgan estima sinergias entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,8 bilhões; uma redução de 10% nas despesas gerais e administrativas equivaleria a uma economia anual próxima de R$ 200 milhões.
O que falta para a operação avançar
As empresas haviam informado em agosto que conversavam sobre uma possível combinação, ainda sem compromisso vinculante. Agora, o negócio depende das aprovações societárias e regulatórias para ser concluído.
Segundo fontes ouvidas pelo InvestNews, a suspensão pelo Ministério da Educação, em fevereiro, do processo Mais Médicos III reforçou o interesse da Afya por aquisições. O processo poderia liberar quase 6 mil vagas privadas de medicina, e a companhia planejava disputar cerca de 1.400 vagas anuais.
Com informações de investnews.com.br.
Foto de capa: Bertelsmann Unternehmenskommunikation/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 de)