Comitê eleitoral de Israel exclui blocos árabes de pleito; Suprema Corte analisará
Ra’am e Lista Conjunta Árabe recorrerão da decisão, tomada a pouco mais de um mês das eleições parlamentares.
O Comitê Central de Eleições de Israel decidiu, em votação realizada na quarta-feira (23), impedir a participação do Ra’am e da Lista Conjunta Árabe nas eleições parlamentares marcadas para 27 de outubro. As duas exclusões foram aprovadas por 18 votos a 5 e ainda dependem de análise da Suprema Corte israelense.
Os pedidos de desqualificação foram apresentados por partidos que fazem parte do governo de Binyamin Netanyahu ou o apoiam. Entre eles estão o Likud, legenda do primeiro-ministro, e o Poder Judaico, do ministro Itamar Ben-Gvir; o gabinete do procurador-geral se manifestou contra as exclusões.
Disputa pode definir a maioria
A decisão ocorre em uma eleição sem maioria assegurada para os grandes blocos. Segundo pesquisas citadas pelo Financial Times e reproduzidas pela Folha de S.Paulo, a oposição sionista teria cerca de 54 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto o campo de Netanyahu ficaria em torno de 50.
Pesquisas citadas indicam equilíbrio entre os blocos políticos.
- 27 de outubroData da eleição
- 120Cadeiras do Knesset
- 54 cadeirasOposição sionistaSegundo pesquisas recentes
- 50 cadeirasBloco de NetanyahuSegundo pesquisas recentes
- 5 cadeirasRa’am כיוםRepresentação atual

Para comandar o governo, uma aliança precisa alcançar 61 deputados. Nesse cenário, as siglas árabes poderiam ter influência na formação de uma coalizão, caso permanecessem na disputa.
O Ra’am tem atualmente cinco assentos no Parlamento e foi o primeiro partido árabe-israelense a integrar uma coalizão governista, em 2021. Liderada por Mansour Abbas, a legenda busca diálogo com partidos judeus.
Partidos anunciam recurso
O Ra’am considerou a medida inaceitável e afirmou que ela integra uma tentativa de deslegitimar o partido. A Lista Conjunta Árabe classificou a votação como uma iniciativa política, racista e antidemocrática.
As duas organizações informaram que vão recorrer à Suprema Corte. Em eleições anteriores, o tribunal já anulou tentativas de barrar partidos árabes.
Os cidadãos árabes representam aproximadamente um quinto da população israelense, e muitos se reconhecem como palestinos com cidadania de Israel. A definição judicial sobre as candidaturas pode alterar o quadro da eleição parlamentar.
Próximas etapas
A Suprema Corte israelense decidirá se mantém ou derruba as desqualificações aprovadas pelo comitê eleitoral. Até essa decisão, não há confirmação definitiva de que Ra’am e Lista Conjunta Árabe ficarão fora da votação de outubro.
Com informações de diariodocentrodomundo.com.br.
Foto de capa: Avi Ohayon/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)