Marrocos detém dez suspeitos de incentivar entradas irregulares em Ceuta e Melilla
Prisões ocorreram em várias cidades após convocações nas redes sociais para travessias coletivas rumo aos enclaves espanhóis.
A polícia de Marrocos deteve dez pessoas, entre elas dois menores, suspeitas de divulgar conteúdos falsos e de incentivar entradas irregulares em massa nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla. As prisões foram informadas em 23 de setembro, dia em que Marrocos realizou eleições e reforçou a segurança nas áreas de fronteira.
Segundo uma fonte oficial ouvida pela agência Efe, os investigados teriam usado redes sociais e aplicativos de mensagens para divulgar convocações para travessias coletivas. A mobilização levou também a Espanha a ampliar o policiamento nas duas cidades autônomas situadas no norte da África.
Prisões em quatro cidades
As detenções foram feitas pela polícia judiciária marroquina em coordenação com a Direção-Geral de Vigilância do Território. A operação alcançou cidades do norte, centro e sul do país, entre elas Casablanca, Marraquexe, Fez e Nador.
De acordo com as autoridades, os conteúdos identificados indicavam uma preparação prévia para invasões das cercas que separam Marrocos de Ceuta e Melilla. A polícia não detalhou quantas pessoas participaram de cada uma das divulgações investigadas.
Reforço na fronteira
Marrocos montou um esquema especial de segurança na fronteira com Ceuta e nas estradas entre Tânger, Tetuán e Fnideq, localidade próxima ao enclave. Fontes locais citadas pela Efe afirmaram que, durante a madrugada, grupos de migrantes de países subsaarianos que estavam na região de Fnideq se deslocaram e entraram em confronto com policiais.
As mesmas fontes informaram que quatro pessoas foram detidas nesses episódios. Não está claro, no material divulgado, se elas fazem parte do grupo de dez suspeitos detidos pela polícia marroquina.
Convocações desde julho
Esta foi a terceira convocação desse tipo nas redes sociais desde o fim de julho, segundo a Efe. Naquele período, ao menos 70 mil pessoas entraram no enclave espanhol em uma crise que, conforme organizações civis, deixou pelo menos 141 mortes.
Episódios citados pela agência Efe desde o fim de julho.
- 70 mil pessoasFim de julhoentraram no enclave espanhol
- 141 mortesFim de julhosegundo organizações civis
- Confrontos15 de agostonos arredores de Fnideq
Em 15 de agosto, uma convocação semelhante terminou em confrontos nos arredores de Fnideq, quando autoridades marroquinas tentavam impedir a passagem em direção a Ceuta. O governo espanhol havia manifestado preocupação com novas entradas irregulares e anunciado o reforço dos meios policiais nas fronteiras.
Com informações de sapo.pt.
Foto de capa: Mario Sánchez Bueno/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)