Argentina perde 31,3 mil empresas e 245,6 mil empregos formais durante governo Milei
Levantamentos apontam queda no número de companhias e postos de trabalho, enquanto a inflação recuou.
A Argentina registrou uma redução de 31,3 mil empresas entre novembro de 2023, quando Javier Milei assumiu a Presidência, e junho de 2026. O número corresponde a 6,1% das companhias registradas no país, segundo um levantamento do centro de pesquisas Fundar.
O emprego formal também recuou durante o governo Milei. Um estudo do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) aponta a perda de 245,6 mil postos privados registrados. Os dados aparecem em meio à agenda de cortes de gastos e abertura comercial defendida pelo presidente, mas os levantamentos citados não estabelecem uma causa única para os fechamentos.
Queda atinge a maior parte do país
De acordo com a Fundar, 14 dos 18 setores analisados tiveram redução no número de empresas. A queda atingiu 23 das 24 províncias argentinas. Neuquém foi a exceção; na província, a exploração de gás natural de Vaca Muerta tem impulsionado as exportações.
A indústria também apresentou retração. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) apontam queda de 2,6% na produção industrial no acumulado de 12 meses até julho de 2026. No mesmo período, o segmento de equipamentos eletrônicos e médicos recuou 19,1%.
Emprego recua, mas inflação desacelera
Segundo o Cepa, a perda de empregos privados registrados foi parcialmente compensada pelo aumento de 169 mil trabalhadores autônomos. O Indec calculou uma taxa de desemprego de 7,9% no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.
Indicadores divulgados por centros de pesquisa e pelo instituto oficial de estatísticas.
- 31,3 milEmpresas a menosLevantamento da Fundar
- 245,6 milEmpregos privados perdidosPostos registrados, segundo o Cepa
- 7,9%Taxa de desempregoPrimeiro semestre de 2026, segundo o Indec
A inflação, por sua vez, caiu no período abordado pela reportagem, considerando a variação acumulada em 12 meses:
| Período | Inflação anual |
|---|---|
| Abril de 2024 | 289% |
| Agosto de 2026 | 33,5% |
O que diz Milei
Em uma conferência sobre a economia argentina no fim de agosto, Milei contestou as avaliações negativas sobre o desempenho do país. O presidente citou indicadores de exportações, consumo privado, inflação e Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 4,4% em 2025 após cair 1,3% em 2024.
Milei também afirmou que, se todas as empresas estivessem fechando sem a abertura de outras, o desemprego estaria subindo de forma mais acentuada. O economista Paulo Gala, da FGV-SP, disse à Agência Brasil que o controle da inflação é frágil e avaliou que a valorização do peso prejudica a indústria argentina.
Com informações de bmcnews.com.br.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)