Escudo das Américas reúne 19 países em ação liderada pelos EUA
Aliança apoiou sanções contra 24 grupos criminosos; Brasil e México não participam da coalizão.
Quatorze países latino-americanos apoiaram, em 22 de setembro, sanções dos Estados Unidos contra 24 grupos criminosos que atuam na região, entre eles o PCC e o Comando Vermelho. A medida faz parte da aliança Escudo das Américas, liderada por Washington e voltada ao combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
Segundo a Casa Branca, as sanções incluem restrições migratórias e congelamento de bens. O governo de Donald Trump classifica as facções brasileiras atingidas como organizações “narcoterroristas”, definição que é rejeitada pelo Palácio do Planalto.
Como funciona a coalizão
O Escudo das Américas prevê troca de informações de inteligência e coordenação de operações entre os integrantes. A aliança foi lançada por Trump em março, na Flórida, e hoje reúne 19 países, incluindo Estados Unidos, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e República Dominicana.
Dados da ação apoiada por países da região.
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- marçolançamentona Flórida
Colômbia e Peru aderiram posteriormente à iniciativa, depois da eleição de governos de direita, conforme a fonte. Brasil e México, as duas maiores economias latino-americanas e governados por partidos de esquerda, ficaram fora do grupo.
Especialistas ouvidos pela DW questionam o alcance político da iniciativa. Sandra Pellegrini, da organização Armed Conflict Location and Event Data, afirmou que a ausência de países onde atuam algumas das organizações criminosas mais influentes da região limita o potencial de uma estratégia regional contra o narcotráfico.
Críticas à estratégia dos Estados Unidos
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que usaria o poder militar americano para proteger interesses considerados vitais pelos Estados Unidos na região, se necessário. Ele também relacionou o projeto a uma política mais ampla de reafirmação da influência americana na América Latina.
Para Florencia Rubiolo, diretora do think tank Insight 21, da Universidade Siglo 21, na Argentina, o Escudo das Américas busca também reagir à presença econômica e estratégica da China na região. Juanita Goebertus, da Human Rights Watch, disse que o enfrentamento ao crime organizado não terá êxito sem fortalecimento consistente da Justiça e rejeição ao uso ilegal da força.
Posição do Brasil
Em vez de entrar na coalizão, o Brasil formalizou em maio um acordo de cooperação com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado transnacional. A parceria prevê compartilhamento de inteligência em tempo real, segundo a fonte.
O tema ampliou os atritos entre Washington e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Após o discurso de Trump na ONU, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e alertou países latino-americanos para o que chamou de tentações hegemônicas.
Com informações de opovo.com.br.
Foto de capa: Daniel Torok/Wikimedia Commons (Public domain)