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Domingo, 8 de novembro de 2026

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Brasil fica fora do Escudo das Américas e vê risco de interferência dos EUA

Governo Lula diz que Escudo das Américas, liderado por Trump, pode abrir espaço para interferência dos EUA na América Latina.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 2 min de leitura
Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Planalto avalia que coalizão liderada por Donald Trump pode ampliar influência sobre setores estratégicos latino-americanos.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva justificou a ausência do Brasil no Escudo das Américas, grupo liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reuniu 13 países latino-americanos na Assembleia da ONU, na terça-feira (22). Segundo interlocutores do Planalto, a iniciativa pode abrir espaço para interferência americana em áreas como economia, infraestrutura e gestão de riquezas nacionais.

O Brasil não foi convidado a integrar a coalizão, formada para combater facções ligadas ao crime organizado. Na avaliação do governo brasileiro, uma eventual ampliação do escopo do grupo poderia atingir acordos firmados por países latino-americanos com a China, rival econômica dos Estados Unidos, sob o argumento de segurança continental.

Preocupação com setores estratégicos

A leitura do Planalto se apoia na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, divulgada pelo governo Trump no ano passado. O documento estabelece como objetivos americanos a predominância no Hemisfério Ocidental e a garantia de acesso a minerais críticos e terras raras nas Américas.

Auxiliares de Lula avaliam que o Escudo das Américas pode ser usado para ampliar a influência de Washington sobre recursos estratégicos dos países da região. O governo também vê as propostas de segurança continental e de combate ao crime organizado como formulações pouco definidas.

Especialista vê efeito limitado no combate às facções

Para Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, a adesão ao grupo teria efeito restrito no enfrentamento ao crime organizado no Brasil. Ela afirmou que o acordo representa, na prática, o reconhecimento formal de facções como organizações terroristas, mas não enfrenta o principal desafio do país.

Segundo a especialista, o combate às redes criminosas depende de investigações integradas entre Polícia Federal, polícias estaduais, Receita Federal, Ministério Público e órgãos de controle. Para ela, operações que seguem recursos ligados a empresas, fundos, fintechs e patrimônios das organizações são mais eficazes do que mudar a classificação jurídica das facções.

Cooperação deve continuar

O Planalto prevê manter o trabalho conjunto contra organizações criminosas com países vizinhos que aderiram ao Escudo das Américas. De acordo com o governo, essas parcerias podem continuar sem que o Brasil participe da coalizão comandada pelos Estados Unidos.

A avaliação interna é que a ausência brasileira não deve provocar efeito imediato na eleição prevista para 4 de outubro. Interlocutores do governo esperam que Washington aguarde o resultado da primeira etapa da votação antes de reavaliar eventuais estratégias para o segundo turno.

Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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