24 de setembro de 2026

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Super El Niño pode reduzir PIB da América Latina em 2%, alerta Cepal

Relatório da ONU projeta também até 4,8 milhões de novos pobres em um cenário de fenômeno extremo.

Um episódio extremo de El Niño poderá retirar pelo menos 2% do PIB da América Latina e do Caribe em três anos, segundo relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas, na segunda-feira (21). O estudo calcula que, no cenário mais severo, até 4,8 milhões de pessoas poderão entrar na pobreza até o fim da década.

A projeção considera a possibilidade de um El Niño muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. A Cepal ressalta que os números não representam uma perda garantida: os efeitos dependerão da força, da duração e da distribuição do fenômeno entre os países.

Risco para energia, campo e pesca

Cerca de metade do impacto econômico projetado pode ocorrer já no primeiro ano, de acordo com a Cepal. Agricultura, geração de energia, pesca e infraestrutura estão entre as atividades mais expostas às alterações de chuva e temperatura.

A Cepal cita riscos à pesca no Pacífico durante eventos extremos de El Niño.
A Cepal cita riscos à pesca no Pacífico durante eventos extremos de El Niño. — Foto: BBCLCD/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O relatório aponta que algumas áreas latino-americanas poderão ter probabilidade de déficit de chuva de até 60% entre outubro e dezembro de 2026. Países que dependem de hidrelétricas podem enfrentar menor disponibilidade de água nos reservatórios ao mesmo tempo em que o calor eleva o consumo de energia para refrigeração.

No campo, a seca pode reduzir a produtividade agrícola, comprometer a água e a alimentação dos animais e afetar a renda de produtores e trabalhadores. Com base em análises da FAO, a Cepal cita risco elevado de seca agrícola em partes da América Central, da Colômbia, da Venezuela e do Caribe.

Efeitos sobre preços e pobreza

O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que interfere na circulação atmosférica e muda os regimes de chuva e temperatura. Quanto maior esse aquecimento, maior pode ser a intensidade dos impactos climáticos.

InfográficoProjeções para um El Niño extremo

Dados do cenário analisado pela Cepal para a América Latina e o Caribe.

2%
perda do PIBao longo de três anos
  • 2%Perda do PIBao longo de três anos
  • 4,8 milhõesNovos pobresaté o fim da década
  • 60%Déficit de chuvaoutubro a dezembro de 2026
  • 52,7%Queda na pescano evento de 1972-1973
  • 26,9%Queda na pescano evento de 1997-1998
Fonte: CepalGuia do Acre

A Cepal também alerta para a pesca no Pacífico. O aquecimento enfraquece a chegada de águas profundas e ricas em nutrientes à superfície, afetando a cadeia alimentar marinha e a distribuição de espécies comerciais. Em episódios anteriores, a captura pesqueira caiu 52,7% em 1972-1973 e 26,9% em 1997-1998.

Segundo o órgão, perdas de produção, emprego e renda, somadas à alta dos alimentos e dos custos de energia, ajudam a explicar o avanço da pobreza no cenário extremo. A Cepal recomenda reforçar sistemas de alerta, proteção social e fundos de emergência, além de investir em infraestrutura resistente e diversificar a geração elétrica.

Próximos passos

A Cepal defende que os governos antecipem ações de adaptação para reduzir danos econômicos e sociais caso o fenômeno alcance magnitude excepcional. Entre as medidas apontadas estão a integração dos sistemas elétricos e a preparação de estoques e recursos para períodos de seca.

Com informações de iclnoticias.com.br.

Foto de capa: Orly Winer/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Guia do Acre.