Flávio Bolsonaro promete incluir Brasil no Escudo das Américas se for eleito
Senador afirma que buscaria adesão à coalizão liderada por Donald Trump contra crime organizado e tráfico de drogas.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em transmissão no YouTube nesta terça-feira (23), que pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito em 2026. A coalizão, liderada pelos Estados Unidos, reúne países da América Latina e do Caribe para coordenar ações contra o crime organizado e o narcotráfico.
Segundo o senador, a adesão ocorreria a partir do próximo ano. Ele também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela ausência brasileira no grupo, do qual o Brasil e o México não participam.
Como funciona a coalizão
Lançado em março, o Escudo das Américas prevê cooperação entre governos, com compartilhamento de inteligência e operações militares coordenadas. A iniciativa tem como foco o enfrentamento ao tráfico de drogas e a redes criminosas no continente.
Dados citados sobre a coalizão regional de segurança.
- 15 paísesIntegrantesalém dos Estados Unidos
- 22 gruposGrupos citadosalém de PCC e CV
- marçoLançamentoiniciativa de cooperação regional
- 2 paísesFora do grupoBrasil e México

Até agora, a coalizão reúne 15 países, além dos Estados Unidos. Participam Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Em encontro paralelo à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, líderes ligados ao bloco discutiram os próximos passos da ação conjunta. A declaração do grupo também prevê classificar o PCC, o Comando Vermelho e outros 22 grupos como “narcoterroristas”, segundo as informações divulgadas.
O que exigiria mudança no Brasil
A legislação brasileira define terrorismo a partir de critérios específicos e não adota a classificação de “narcoterrorismo”. Pela lei, determinados atos podem ser enquadrados como terrorismo quando motivados por xenofobia ou discriminação e preconceito de raça, cor, etnia e religião, com a intenção de provocar terror social ou generalizado.
O procurador Vladimir Aras afirmou que a inclusão de facções nessa categoria exigiria alteração na legislação brasileira. Segundo ele, a mudança também seria necessária para permitir que o país adotasse listas de organizações terroristas usadas pelos Estados Unidos.
A declaração conjunta do Escudo das Américas cita medidas financeiras, migratórias e criminais contra os grupos classificados. Entre elas estão congelamento de bens, restrições de vistos a integrantes, associados e apoiadores, além de punições a quem fornecer apoio material ou logístico, conforme a legislação de cada país.
Próximos passos
A proposta apresentada por Flávio Bolsonaro depende de sua eventual eleição à Presidência e de mudanças legais no Brasil, conforme a avaliação citada pelo procurador. O senador declarou que pretende discutir a classificação das facções com o Congresso Nacional.
Com informações de msn.com, noticias.uol.com.br.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (Attribution)