Dormir menos de seis ou mais de nove horas é associado a maior risco de morte
Estudos citados pela ciência do sono apontam melhor associação com longevidade entre seis e oito horas de descanso por noite.
Dormir habitualmente menos de seis horas ou mais de nove horas por noite está associado a riscos maiores de mortalidade e de doenças crônicas, segundo estudos sobre sono citados pela neurologista Rosana Cardoso Alves. A faixa entre seis e oito horas é a que aparece relacionada à maior longevidade nas pesquisas mencionadas.
Um estudo publicado na revista Sleep em 2010 acompanhou mais de 1,3 milhão de pessoas por cerca de 25 anos. De acordo com os resultados relatados, quem dormia menos de seis horas tinha risco 12% maior de morrer por diferentes causas; entre aqueles que dormiam mais de nove horas, a mortalidade foi cerca de 30% maior na comparação com a faixa intermediária.
O que ocorre quando falta sono
Durante o repouso, o organismo desempenha funções que não realiza da mesma forma durante a vigília. No cérebro, o sistema glinfático atua na eliminação de moléculas acumuladas ao longo do dia, processo que, segundo o material, se relaciona a doenças neurodegenerativas quando é prejudicado.
A privação de sono também é associada ao comprometimento do sistema imunológico, à elevação da pressão arterial e a riscos maiores de diabetes, ganho de peso e complicações cardiovasculares. A fonte afirma ainda que a falta de descanso interfere na manifestação de genes ligados a problemas de saúde.
Excesso pode indicar sono ruim
Dormir por muitas horas não significa, necessariamente, que o descanso foi reparador. Uma meta-análise publicada na Sleep Medicine Reviews, com 5 milhões de participantes, associou o sono acima de nove horas a risco 39% maior de morte por diferentes causas, além de probabilidade 26% maior de diabetes e 24% maior de doença coronariana.
Dados citados nas pesquisas sobre duração do sono.
- 12%Menos de seis horasmaior risco de morrer
- 39%Mais de nove horasmaior risco de morrer
- 26%Risco de diabetesacima de nove horas
- 24%Doença coronarianaacima de nove horas
A necessidade constante de passar mais de nove horas na cama pode estar ligada a interrupções do sono que a pessoa não percebe. A apneia do sono, por exemplo, bloqueia repetidamente a passagem de ar e pode provocar despertares rápidos, deixando o indivíduo cansado ao acordar.
Outras condições citadas são narcolepsia, hipersônia idiopática, diabetes mal controlado, dores crônicas, depressão e efeitos de medicamentos. Cerca de 20% das pessoas, segundo o material, têm perfil biológico incompatível com trabalho noturno e podem apresentar sonolência excessiva nessa rotina.
Quando procurar avaliação
A neurologista Rosana Cardoso Alves afirma que o excesso de sono pode ser um sinal de repouso insuficiente em qualidade. “Quem sempre dorme mais de nove horas não necessariamente dorme bem”, disse.
A fonte recomenda atenção para quem dorme frequentemente mais de nove horas, sente sonolência excessiva durante o dia, ronca alto ou acorda cansado mesmo depois de longos períodos na cama. A polissonografia é um dos exames mencionados para identificar distúrbios que afetam o descanso.
Hábitos citados para melhorar o sono
Como medida inicial, o material cita práticas de higiene do sono por um mês:
- Evitar refeições pesadas à noite.
- Desligar-se das telas antes de dormir.
- Manter horário regular para ir à cama.
- Deixar o quarto completamente escuro.
- Usar cama e travesseiro confortáveis.
Se não houver melhora após esse período, a fonte aponta a necessidade de investigação mais aprofundada de possíveis transtornos do sono.
Com informações de itatiaia.com.br.
Foto de capa: PattayaPatrol/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)