Estudo confirma cinco fósseis denisovanos em caverna no sudoeste da China
Análise de proteínas identificou o primeiro osso de antebraço atribuído a esse grupo humano extinto.
Cinco restos humanos encontrados na caverna Bianfu, na província chinesa de Yunnan, foram atribuídos aos denisovanos por uma análise de proteínas antigas publicada na revista Nature. O conjunto inclui o primeiro rádio — um dos ossos do antebraço — confirmado para esse grupo humano extinto.
Os fósseis foram datados entre cerca de 167 mil e 134 mil anos e reforçam a presença dos denisovanos no sudoeste da China durante o fim do Pleistoceno Médio. Além do fragmento de rádio próximo ao cotovelo, a pesquisa identificou dois fragmentos de osso parietal do crânio e dois dentes.
Como os fósseis foram identificados
Os pesquisadores não usaram DNA antigo, que pode não resistir bem ao tempo. A equipe recorreu à paleoproteômica, técnica que examina proteínas preservadas em fósseis, para classificar os materiais da caverna.
Dados citados na análise dos fósseis denisovanos da caverna chinesa.
- mais de 60 milFragmentos analisadosossos de mamíferos
- 167 mil a 134 mil anosDatação dos fósseisperíodo estimado
- 190 mil a 70 mil anosSequência do sítiopesquisa associada
Mais de 60 mil fragmentos ósseos de mamíferos foram analisados em Bianfu. Primeiro, os cientistas fizeram uma triagem por espectrometria de massa do colágeno, conhecida como ZooMS, e depois aplicaram análises proteômicas mais detalhadas.
Esse processo permitiu separar três ossos humanos em meio aos vestígios de animais e atribuí-los aos denisovanos. A identificação dos dois dentes encontrados no sítio pelo mesmo método reforçou a conclusão, segundo o estudo.
O que o rádio revela
Até então, os denisovanos eram conhecidos principalmente por dentes, partes do crânio, uma falange e poucos outros vestígios. O rádio amplia o conhecimento sobre a anatomia abaixo da cabeça, embora o fragmento não permita reconstruir por completo o corpo desse grupo.
De acordo com os pesquisadores, o osso reúne características semelhantes às de outros hominínios arcaicos. Ainda assim, o material é insuficiente para definir com precisão aspectos como estatura, robustez corporal e biomecânica.
Presença em diferentes regiões da Ásia
A confirmação em Bianfu preenche uma lacuna na distribuição geográfica dos denisovanos. Antes, havia registros confirmados na Sibéria, no planalto tibetano, em Taiwan e em outros contextos asiáticos, mas faltavam confirmações diretas no sudoeste da China.
Outra pesquisa ligada ao mesmo sítio aponta uma sequência arqueológica de cerca de 190 mil a 70 mil anos. O ambiente teria alternado entre floresta de coníferas e estepe florestada, com exploração de presas de médio e grande porte.
Os novos fósseis apoiam a hipótese de que os denisovanos ocuparam ambientes muito distintos na Ásia. Apesar do avanço, ainda há debate sobre a classificação de fósseis relacionados ao grupo, seu nome científico formal e a relação com outros humanos arcaicos e com o Homo sapiens.
Com informações de oantagonista.com.br.