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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Turismo, história e cultura do Acre

História

A escolha do nome para a capital do Acre: por que Rio Branco

A capital do Acre se chama Rio Branco em homenagem ao Barão do Rio Branco, o diplomata que negociou o Tratado de Petrópolis em 1903. Veja como o antigo Seringal Empresa, fundado em 1882, chegou a esse nome.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 9 min de leitura
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A capital do Acre se chama Rio Branco em homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores que negociou o Tratado de Petrópolis, assinado com a Bolívia em 17 de novembro de 1903. Com esse acordo o Acre passou a fazer parte do Brasil. O povoado começou como Seringal Empresa, fundado por Neutel Maia em 28 de dezembro de 1882, e só recebeu o nome atual no início do século XX.

Até virar a capital que se conhece hoje, o lugar teve nomes diferentes nas duas margens do rio Acre, passou por mudanças administrativas e precisou unir dois núcleos urbanos. A tabela abaixo mostra cada fase de forma resumida.

Nome Onde / quando Origem do nome
Seringal Empresa (Volta da Empresa) Margem do rio Acre, a partir de 1882 Empreendimento seringalista de Neutel Maia
Vila Rio Branco Sede do Departamento do Alto Acre, início do século XX Homenagem ao Barão do Rio Branco
Penápolis Margem oposta do rio, criada na mesma época Homenagem ao presidente Afonso Pena
Rio Branco (cidade e capital) Capital do Território unificado, a partir de 1920 Nome que prevaleceu na fusão dos núcleos
Rio Branco (capital estadual) Desde a criação do Estado do Acre, em 1962 Nome mantido

Por que a capital do Acre homenageia o Barão do Rio Branco?

O nome foi escolhido porque o Barão do Rio Branco foi a figura central da solução diplomática que garantiu o Acre ao Brasil. Depois da Revolução Acreana, liderada por Plácido de Castro contra o domínio boliviano, o chanceler conduziu as negociações que terminaram no Tratado de Petrópolis, sem precisar de uma guerra aberta entre os dois países.

Pelo acordo, o Brasil incorporou o território e, em troca, pagou uma indenização à Bolívia, cedeu pequenas áreas de fronteira e assumiu o compromisso de construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Para o governo federal da época, dar à principal povoação acreana o nome do negociador era uma forma de marcar a conquista e afirmar a presença brasileira numa região recém-incorporada.

Quem foi o Barão do Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845–1912) era filho do Visconde do Rio Branco, político importante do Império. Ficou conhecido como o diplomata que resolveu várias disputas de fronteira do Brasil, entre elas as questões de Palmas, com a Argentina, e do Amapá, com a França. Foi ministro das Relações Exteriores de 1902 até morrer, em 1912, servindo a vários presidentes da República.

É importante não confundir: o nome da capital acreana não vem de um rio chamado Branco. A cidade fica às margens do rio Acre. O rio Branco de verdade corre em Roraima, a mais de mil quilômetros dali, e não tem relação com a escolha do nome.

Fachada de palácio histórico neoclássico em Rio Branco
O Palácio Rio Branco, antiga sede do governo, leva o mesmo nome do diplomata homenageado na capital.

Como foi a escolha do nome para a capital do Acre, passo a passo

A troca de Empresa para Rio Branco não aconteceu num único ato. Ela acompanhou a organização administrativa do território, que o governo federal passou a administrar diretamente depois de 1903. As etapas principais foram estas:

  1. Fundação do seringal: em 28 de dezembro de 1882, o cearense Neutel Maia instala o Seringal Empresa numa curva do rio Acre, ponto que ficou conhecido como Volta da Empresa.
  2. Incorporação ao Brasil: o Tratado de Petrópolis, de 1903, encerra a disputa com a Bolívia e o Acre passa a ser território brasileiro.
  3. Criação do Território Federal: em 1904, o Acre é dividido em departamentos administrados por prefeitos nomeados pelo governo federal, e Empresa vira sede do Departamento do Alto Acre.
  4. Adoção do nome Rio Branco: na condição de sede departamental, o povoado é elevado a vila e passa a se chamar Rio Branco, em homenagem ao chanceler.
  5. Surgimento de Penápolis: na margem oposta do rio forma-se outro núcleo urbano, batizado em homenagem ao presidente Afonso Pena.
  6. Unificação e capital: em 1920, com a unificação administrativa do Território, Rio Branco vira a capital única e absorve Penápolis.
  7. Estado do Acre: com a elevação do Acre a estado, em 1962, Rio Branco continua como capital e mantém o nome.

Do Seringal Empresa a Rio Branco: linha do tempo

1882

Neutel Maia funda o Seringal Empresa no rio Acre

1903

Tratado de Petrópolis incorpora o Acre ao Brasil

1904 em diante

Empresa vira sede do Alto Acre e recebe o nome Rio Branco

1920

Território unificado: Rio Branco é a capital e absorve Penápolis

1962

Acre vira estado e Rio Branco segue como capital

O que era Penápolis e por que o nome não ficou?

Penápolis foi o núcleo urbano que se formou na margem do rio Acre oposta à antiga Empresa, numa época em que a sede administrativa precisava de mais espaço e de terrenos menos sujeitos às cheias. O nome homenageava Afonso Pena, presidente da República entre 1906 e 1909, que morreu no cargo.

Durante alguns anos, os dois lados do rio tiveram nomes diferentes, o que gerava confusão administrativa. Quando o Território foi unificado e ganhou uma capital só, prevaleceu o nome Rio Branco, mais ligado à própria história da anexação do Acre. Penápolis virou parte da capital, e o nome caiu em desuso no dia a dia, embora ainda apareça em documentos antigos e estudos históricos.

Como identificar as duas margens hoje

Na Rio Branco de hoje, a divisão continua visível na geografia urbana. A cidade é organizada em Primeiro Distrito e Segundo Distrito, separados pelo rio Acre e ligados por pontes. O Segundo Distrito, onde ficam o bairro histórico da Gameleira e o Mercado Velho do outro lado da passarela, guarda a memória da ocupação mais antiga, ligada ao seringal original.

Área atual Relação histórica O que visitar
Segundo Distrito Ocupação ligada ao Seringal Empresa Gameleira, casario antigo, orla
Primeiro Distrito Expansão administrativa e centro político Palácio Rio Branco, praças centrais
Passarela Joaquim Macedo Liga as duas margens no centro Vista do rio Acre e do Mercado Velho
Passarela sobre o rio Acre ligando os dois distritos de Rio Branco
Os dois distritos separados pelo rio Acre lembram a época em que Rio Branco e Penápolis tinham nomes diferentes.

Onde ver a história do nome de Rio Branco na cidade

Quem visita a capital consegue seguir a história do nome em vários pontos do centro histórico. Os principais são:

  • Palácio Rio Branco: antiga sede do governo, hoje funciona como museu e mostra a formação política do Acre e as figuras ligadas à anexação.
  • Gameleira: área às margens do rio Acre ligada ao início da ocupação, com uma árvore centenária que dá nome ao lugar e virou símbolo da cidade.
  • Memorial dos Autonomistas: espaço dedicado ao movimento que levou o Acre de território a estado, etapa final da história administrativa da capital.
  • Museu da Borracha: reúne acervo sobre o ciclo da borracha e os seringais, contexto em que surgiu o Seringal Empresa.
  • Mercado Velho e orla: trecho revitalizado que ajuda a entender a importância do rio para a formação da cidade.

Horários de funcionamento, exposições e eventuais cobranças de entrada mudam com o tempo. Antes de ir, confira as informações atualizadas nos canais da Fundação de Cultura Elias Mansour e da Secretaria de Turismo do estado.

Contexto: por que o nome tinha peso político

Nas primeiras décadas do século XX, dar nomes de figuras nacionais a cidades da fronteira era uma prática comum para reforçar a soberania. O Acre tinha sido disputado por Bolívia, Peru e por seringalistas e seringueiros brasileiros, e ainda havia tensões com o Peru, resolvidas no Tratado do Rio de Janeiro, de 1909, também negociado pelo Barão.

Batizar a sede administrativa de Rio Branco deixava claro que o território pertencia ao Brasil por um acordo internacional reconhecido. Ao mesmo tempo, a população local tinha seus próprios heróis, sobretudo Plácido de Castro, que dá nome ao município de Plácido de Castro. Assim, a toponímia acreana registra as duas faces da anexação: a luta armada e a negociação diplomática.

Outros nomes acreanos ligados à anexação

  • Plácido de Castro: município que homenageia o líder militar da Revolução Acreana.
  • Epitaciolândia: nome que remete a Epitácio Pessoa, presidente da República no início dos anos 1920.
  • Senador Guiomard: homenagem a José Guiomard dos Santos, autor do projeto que transformou o Acre em estado.

Erros comuns sobre o nome da capital do Acre

Alguns equívocos se repetem em trabalhos escolares, conversas e até em materiais turísticos. Vale conferir:

  • “A cidade fica no rio Branco”: errado. Rio Branco fica no rio Acre; o rio Branco fica em Roraima.
  • “O nome homenageia o Visconde”: a homenagem é ao filho, o Barão do Rio Branco, responsável pelo Tratado de Petrópolis.
  • “Rio Branco sempre foi a capital”: no começo o Acre era dividido em departamentos, cada um com sua sede; a capital única só veio em 1920.
  • “Penápolis era outra cidade distante”: Penápolis ficava na margem oposta do mesmo rio e acabou incorporada à capital.
  • “Plácido de Castro deu nome à capital”: o líder da revolução dá nome a outro município, não à capital.

Para trabalhos acadêmicos que exijam datas exatas de decretos e atos administrativos, a recomendação é consultar diretamente o acervo do Arquivo Público do Acre, a Fundação Elias Mansour e as publicações de historiadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), já que algumas datas intermediárias aparecem com pequenas diferenças entre as fontes.

Perguntas frequentes

Qual era o nome de Rio Branco antes?

O núcleo original se chamava Seringal Empresa, também conhecido como Volta da Empresa, fundado por Neutel Maia em 1882. A margem oposta teve o nome de Penápolis antes da unificação.

Quem escolheu o nome Rio Branco?

O nome foi adotado pela administração do Território Federal, ligada ao governo federal, quando a localidade virou sede do Departamento do Alto Acre. A intenção era homenagear o diplomata que garantiu a anexação.

O Barão do Rio Branco esteve no Acre?

Não há registro conhecido de visita do Barão ao Acre. Ele conduziu as negociações a partir do Rio de Janeiro, então capital federal, onde o tratado foi negociado e assinado, em Petrópolis.

Desde quando Rio Branco é a capital do Acre?

Rio Branco passou a ser a capital única do Território do Acre em 1920, com a unificação dos departamentos. Continuou como capital quando o Acre virou estado, em 1962.

Qual é a data de aniversário de Rio Branco?

O aniversário da cidade é comemorado em 28 de dezembro, data da fundação do Seringal Empresa por Neutel Maia, em 1882.

Por que não ficou o nome Penápolis?

Na unificação da capital, prevaleceu o nome ligado diretamente à anexação do Acre. Penápolis, que homenageava Afonso Pena, foi incorporada e o nome deixou de ser usado oficialmente.

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