22 de outubro de 2026

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Acre

Xapuri e a história de Chico Mendes: o que visitar na cidade

Quem chega a Xapuri pela BR-317, depois de pouco mais de três horas de estrada saindo de Rio Branco, encontra uma cidade pequena, de casas de madeira coloridas e ritmo lento à beira do rio Acre. Não parece, à primeira vista, o lugar de onde saiu um dos movimentos ambientais mais conhecidos do mundo. Mas foi aqui que Chico Mendes organizou os seringueiros, enfrentou os fazendeiros que derrubavam a floresta e acabou assassinado, em dezembro de 1988, na porta dos fundos da própria casa.

Hoje a cidade recebe gente de todo o Brasil e de fora que quer entender essa história no lugar onde ela aconteceu. O roteiro é curto, cabe num dia, mas vale dormir uma noite para sentir o clima da cidade sem pressa.

A casa onde tudo aconteceu

A Casa Chico Mendes fica na rua Dr. Batista de Moraes, no centro, e é o ponto de partida de qualquer visita. A construção de madeira foi mantida como era: a sala com os móveis simples, a cozinha, o quarto das crianças e, nos fundos, o quintal onde ele foi atingido quando saía para tomar banho. Os objetos pessoais ficaram no lugar. Dá um aperto no peito entrar ali, e é justamente por isso que a visita marca tanto.

A entrada é gratuita e os guias costumam ser moradores que conviveram com a família ou cresceram ouvindo as histórias. Vale perguntar, conversar, deixar a visita durar. Em geral a casa abre de terça a domingo, mas o horário muda com frequência, então o mais seguro é confirmar na Fundação Chico Mendes ou na prefeitura antes de viajar.

O que mais ver na cidade

A poucos metros da casa está a sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, onde Chico Mendes foi presidente e de onde partiam os “empates”, as manifestações pacíficas em que famílias inteiras se colocavam na frente das motosserras para impedir a derrubada da mata. O prédio continua em uso e guarda fotos e documentos daquela época.

O túmulo fica no cemitério municipal, simples, sempre com flores deixadas por visitantes. E o centro histórico em si merece uma caminhada: Xapuri foi um dos pontos mais ricos do Acre no auge da borracha, no início do século 20, e ainda tem casarões daquele tempo, alguns restaurados, outros cansados pela umidade. O Mercado Municipal, na beira do rio, é o melhor lugar para almoçar peixe e tomar um açaí batido na hora, do jeito acreano, sem açúcar e acompanhado de farinha.

A reserva extrativista

Quem tem um dia a mais pode entrar na Reserva Extrativista Chico Mendes, criada em 1990, dois anos depois da morte dele, e que hoje tem quase um milhão de hectares entre Xapuri, Brasiléia, Assis Brasil e outros municípios. Ali vivem famílias que ainda tiram o sustento da seringa, da castanha e de pequenas roças, do jeito que o movimento defendia. Algumas comunidades recebem visitantes para mostrar o corte da seringueira ao amanhecer e o processo de defumação da borracha. O passeio precisa ser combinado com antecedência, e o melhor caminho é falar com a Fundação Chico Mendes ou com as associações de moradores, que organizam as visitas e indicam quem pode levar.

Como chegar e quando ir

Xapuri fica a cerca de 180 quilômetros de Rio Branco. O caminho é pela BR-317, a mesma estrada que segue para Brasiléia e para a fronteira com a Bolívia, e está asfaltado. Há ônibus diários saindo da rodoviária da capital, e de carro a viagem leva em torno de três horas, com paradas.

O período seco, de junho a setembro, é o mais confortável para andar pela cidade e entrar na reserva: chove pouco e os ramais ficam transitáveis. No inverno amazônico, entre dezembro e março, as chuvas são fortes e o rio Acre sobe, o que pode atrapalhar os passeios fora do centro. Em qualquer época, leve repelente, roupa leve e uma blusa para as noites, que às vezes surpreendem com a friagem.

Para quem é do Acre, a visita é uma forma de olhar de perto uma parte da própria história que muita gente só conhece de ouvir falar. Para quem vem de fora, é uma chance de entender que a floresta, por aqui, nunca foi só paisagem: sempre foi casa e trabalho de muita gente.

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Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Guia do Acre.

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